Entrevista: Luiz Humberto
ENTREVISTA DO NÚCLEO DE ACESSIBILIDADE DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS - CAMPUS CIDADE DE GOIÁS, COM LUIZ HUMBERTO DE OLIVEIRA- PESSOA COM DEFICIÊNCIA
entrevista em áudio, ouça abaixo:
TEMA 1: HISTÓRIA DE VIDA E PERCURSO ATÉ A ESCOLHA PELO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO
Entrevistadora Jordhana: Luiz Humberto, conte um pouco da sua trajetória de vida pessoal e também escolar que contribuíram para sua decisão de ingressar no curso de Arquitetura e Urbanismo.
Luiz Humberto: Meu nome é Luiz Humberto de Oliveira, deficiente visual. Sou Fiscal de Obras na Prefeitura do Municipio de Goiás e curso Arquitetura e Urbanismo na Universidade Federal de Goiás, campus cidade de Goiás. Sou filho de Maria Luiza de Oliveira (falecida) e João Muniz Sobrinho. Casado (e muito bem casado) com Elisangela de Oliveira e Pai de Enia Priscila Muniz de Oliveira Borges.
Descrição da imagem: Sou uma pessoa morena, de rosto fino, olhos claros, cabelo curto.
Desde sempre quis ser arquiteto. Sempre gostei muito de espaços, casas e de compreender como os espaços funcionam. Minha infância foi marcada pela vida em fazendas. Meus pais eram caseiros, então tive contato com diferentes tipos de casas, porque trabalhávamos tanto em fazendas onde havia produção de leite quanto em sítios de veraneio. Dessa forma, tive contato com diferentes níveis de arquitetura e sempre gostei muito disso.
Comecei a estudar e não tive muita acessibilidade durante o período em que estudava.
Aos 27 ou 28 anos, comecei a trabalhar como eletricista e foi nesse período que percebi que o que eu realmente gostava era arquitetura.
TEMA 2: DEFICIÊNCIA, BARREIRAS E POSSIBILIDADES
Entrevistadora Jordhana: Luiz Humberto, você menciona que enfrentou dificuldades relacionadas à sua deficiência ao longo da vida. Você poderia nos contar qual é a sua deficiência e de que forma ela influenciou sua trajetória escolar, profissional e pessoal?
Luiz Humberto: Eu sou cego, mas, no meu caso, a situação é um pouco mais complexa porque, mesmo realizando todos os exames atualmente disponíveis, constata-se que não tenho visão nenhuma.
Na minha vida acadêmica, durante os primeiros anos, principalmente na alfabetização, eu contava com o auxílio dos colegas. Sempre fui relativamente bom em Matemática e Ciências, mas tinha muita dificuldade em Português.
Isso aconteceu porque fui alfabetizado por meio de ditados feitos por outros colegas. As regras ortográficas, como saber se determinada palavra deveria ser escrita com “s” ou “z”, por exemplo, acabaram se tornando uma dificuldade para mim. Minha gramática é muito ruim, embora eu tente falar o português corretamente. Minha escrita não corresponde ao que eu gostaria por causa dessa questão relacionada à sonoridade das palavras.
Entrevistadora Jordhana: E houve alguém ou alguma situação que tenha influenciado a maneira como você passou a lidar com a deficiência?
Luiz Humberto: Minha madrasta teve uma influência muito grande nesse aspecto. Dos 11 aos 13 anos, vivi na casa dela, e ela sempre me dizia: “A vida é difícil para todo mundo. Para você será um pouco mais difícil por causa da sua deficiência visual, mas ela só vai limitá-lo na medida em que você permitir.”
Isso foi um divisor de águas para mim. Minha mãe me criava como se eu fosse uma boneca de louça dentro de uma redoma. Eu não podia fazer nada, não dava conta de nada e tudo parecia difícil demais para mim. Minha madrasta veio e falou justamente o contrário, e eu tomei aquilo como exemplo de vida.
A partir daquele momento, nada que eu me dispusesse a fazer parecia impossível. Eu tinha consciência dos meus limites e sabia, por exemplo, que não faria Medicina, mas o meu limite não era determinado pela minha deficiência.
Minha deficiência me limitou em muitos aspectos, evidentemente, mas nunca limitou meus sonhos. Meus sonhos acabaram encontrando caminhos dentro da minha própria deficiência.
Não consigo definir minha deficiência como algo que me faça diferente no sentido de me vitimizar. Para mim, ela é uma característica. É como uma pessoa ter olhos castanhos ou ser calva. É algo que faz parte de mim de uma maneira tão particular que não consigo me vitimizar por causa disso.
As coisas são difíceis para mim? São. Mas já vi alunos de Arquitetura que não têm nenhuma deficiência sentarem encostados na parede e chorarem por causa dos problemas do curso. Então, no fim, é difícil para todo mundo.
TEMA 3: A EXPERIÊNCIA NA UNIVERSIDADE E O APOIO DO NÚCLEO DE ACESSIBILIDADE
Entrevistadora Jordhana: Como foi sua chegada à universidade e de que forma o Núcleo de Acessibilidade contribuiu e ainda contribui para sua permanência e desenvolvimento acadêmico?
Luiz Humberto: Em 2017, ingressei no curso de Matemática da UFG, em Goiânia. Foi nesse período que tive meu primeiro contato com o Núcleo de Acessibilidade da UFG, cuja estrutura e atendimento sempre considerei muito positivos.
Nesse intervalo, algumas coisas aconteceram e acabei descobrindo o curso de Arquitetura aqui em Goiás. Fiz o Enem novamente e entrei no curso em 2018.
Quando cheguei, o curso e o núcleo daqui ainda estavam começando. Mesmo assim, prefiro o estilo de trabalho do núcleo de Goiás porque é mais humanizado.
Por exemplo, quando eu tinha algum problema, podia tratar diretamente com a Denise, que é a responsável. Eu conversava com meu monitor ou com alguém que estivesse acima dele. Se não conseguiam resolver, eu tinha um contato muito próximo com a Denise ou com a Solange.
Meu contato com o núcleo foi muito importante e me ajudou bastante. Houve equipamentos que a faculdade não conseguiu organizar para mim e que a professora Denise conseguiu resolver por outros canais.
Sou muito grato por estar em Goiás justamente por essa possibilidade de ter um contato tão próximo com o Núcleo de Acessibilidade.
Sou funcionário público da Prefeitura. Fiz o concurso e, quando surgiu essa oportunidade, que é uma particularidade do núcleo daqui, minha monitora na época, a Bárbara, que era muito gente boa e de quem gostei muito, me mandou uma mensagem.
Ela disse: “A UFG é a banca do concurso de Goiás, e a professora Denise sugeriu que, entre os alunos atendidos pelo núcleo que quiserem fazer o concurso, o núcleo vai dar o apoio.”
Eles me apoiaram muito. Fiz todo o processo como pessoa com deficiência e entrei na ampla concorrência, ficando em quarto lugar.
Isso foi, em grande parte, graças ao apoio do Núcleo de Acessibilidade. Muito do que sou hoje devo ao Núcleo, e não apenas academicamente.
Tema 4: CONCURSO PÚBLICO
Entrevistadora Jordhana: Conte-nos a sua trajetória até a aprovação e nomeação no Concurso Público.
Luiz Humberto: Hoje sou Fiscal de Obras da Prefeitura de Goiás.
O núcleo me ajudou bastante com relação ao material de estudo, ampliação das matérias, inversão de fonte e colocação de fonte com fundo preto, recursos que também utilizavam para mim na faculdade.
Eu estudava oito horas por dia. Dividia as matérias em ciclos, em quatro ciclos. A cada vinte minutos, trocava de matéria.
Toda vez que ia caminhar, pegava alguns materiais e transformava em áudio. Por exemplo, a matéria que estudaria no dia seguinte eu ouvia durante a caminhada. Dessa forma, quando fosse estudar, aquele não seria o primeiro contato que teria com ela.
Foi o primeiro concurso que fiz realmente com o objetivo de passar, e deu certo, graças a Deus.
A prova foi relativamente tranquila porque havia toda aquela questão da legislação. Entrei em uma sala particular, com leitor para mim.
O início da vida profissional, porém, não foi muito receptivo devido à um problema que enfrentei. Quando você ocupa um cargo em que precisa chegar para uma pessoa e dizer que aquilo que ela está fazendo está errado, isso naturalmente gera atrito.
Passei por uma situação muito desagradável na Prefeitura, no cadastro técnico. Uma pessoa chegou a dizer: “Não aceito pessoas como o Luís aqui. Não quero trabalhar com ele.”
A expressão “pessoas como o Luís”, nesse contexto, foi utilizada devido à minha deficiência.
Mas, como já falei, para eu dizer que o Luís tem problema de visão é a mesma coisa que dizer que o Luís é calvo. Isso não muda nada no meu dia porque, para mim, é uma característica.
Novamente, sou muito feliz com o que Deus fez na minha vida. Eu poderia precisar andar com cão guia, mas tenho uma vida relativamente normal.
Pouco tempo antes de entrar de férias, fizemos um levantamento sobre a atuação da fiscalização na Prefeitura. Em 2021, quando entramos, ainda durante a pandemia, a Prefeitura arrecadava R$ 60.000 com a parte de legalização de obras. Hoje está em R$ 210.000. Multiplicou por três vezes, e isso é resultado da atuação da fiscalização, incluindo o meu trabalho.
TEMA 5: INCLUSÃO E MERCADO DE TRABALHO
Entrevistadora Jordhana: Como você vê a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho?
Luiz Humberto: Essa é uma questão um pouco complexa, principalmente quando falamos sobre capacitação de pessoas com deficiência. Alguns professores não gostam desse termo, mas vou explicar o que quero dizer.
Existe uma legislação que garante que as escolas sejam acessíveis. Dessa forma, as pessoas com deficiência estão tendo contato com o estudo, e algumas conseguem realmente estudar, desenvolver-se e aprender.
Depois, entram nas faculdades, profissionalizam-se, formam-se e tornam-se pessoas muito capazes dentro das áreas que escolhem.
Dito isso, o mercado de trabalho ainda não sabe absorver essas pessoas. Pois muitas empresas colocam as pessoas com deficiência apenas para cumprir a cota. Não procuram, por exemplo, pelo potencial profissional da pessoa.
As empresas não abrem uma oportunidade independente de a pessoa ter deficiência ou não. Elas identificam que estão faltando pessoas com deficiência e contratam exclusivamente para cumprir essa finalidade.
A partir daí, para a pessoa conseguir se desenvolver, alcançar cargos de chefia e produzir em sua capacidade máxima, é muito difícil.
Ademais, mercado de trabalho ainda tem dificuldade de compreender que a pessoa com deficiência — particularmente, prefiro o termo “necessidades específicas” — pode ser muito bem aproveitada.
Por isso, na minha opinião, se as necessidades específicas forem analisadas e bem estudadas, podem ser utilizadas como características positivas no mercado de trabalho.
TEMA 6: INCLUSÃO NA EDUCAÇÃO
Entrevistadora Jordhana: Na sua opinião, quais avanços e desafios ainda existem para a inclusão de pessoas com deficiência na educação básica e na educação superior?
Luiz Humberto: É um tema muito interessante porque minha esposa faz Pedagogia aqui na UFG e, como sou uma pessoa que gosta de conhecer os assuntos que estão à minha volta, procuro acompanhar essas questões. Portanto, a acessibilidade na educação está muito presente na minha vida.
Para mim, um dos principais desafios atualmente na educação infantil são os professores. Embora exista legislação e ela já tenha algum tempo, a formação dos professores, principalmente daqueles que estão hoje em sala de aula, não os prepara adequadamente para lidar com essas crianças.
Minha esposa, por exemplo, comentou uma situação que aconteceu com ela antes das férias. Havia uma criança com uma síndrome em sua sala de aula, e a solução encontrada pelos professores era pegá-la e colocá-la em um colchonete no canto da sala.
Ela fica ali e, depois, vai passar de ano. Mas ela não vai aprender e não será incluída na sala de aula.
Não vou ser hipócrita e dizer que não dá trabalho. Dá trabalho. O professor precisa compreender que, além de transmitir o conteúdo previsto no currículo (Matemática, Português, História e outras disciplinas), ele também está formando cidadãos.
A partir do momento em que você pega uma criança com uma síndrome, que pode ser não verbal ou ter dificuldades de se conectar com outras pessoas, e a exclui, deixando-a no canto da sala, você está ensinando às outras vinte crianças que é correto excluir pessoas.
Por quê? Porque essas crianças, daqui a vinte ou trinta anos, quando tiverem contato com uma pessoa com deficiência, poderão reproduzir esse comportamento. Primeiro, podem sentir vergonha de ter um filho com deficiência. Depois, essa criança poderá sofrer com o preconceito da sociedade sem sequer compreender a razão.
O problema começa agora.
O professor que recebe para ensinar — e eu já falei isso para minha esposa — não recebe para ensinar apenas o aluno perfeito. Ele recebe para ensinar todos.
Para mim, é difícil quando um professor não encontra formas acessíveis de ensinar, mas também é preciso considerar que eu enfrento diariamente essa dificuldade em sala de aula. A diferença é que o professor já tem sua vida profissional estruturada, enquanto eu ainda estou em processo de formação.
Por outro lado, considero o curso de Pedagogia da UFG, aqui no Câmpus Goiás, algo maravilhoso. O curso já traz a perspectiva da acessibilidade e da inclusão. Durante toda a formação, a inclusão é uma questão pautada pelo curso.
Por fim, não concordo com salas de aula especiais para alunos com deficiência. Eu também passei por elas. O que defendo é que esses alunos estejam em salas de aula com a grade curricular normal, mas com professores que tenham condições de interagir com eles e tornar o ambiente inclusivo.
TEMA 7: MENSAGEM PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA
Entrevistadora Jordhana: Que mensagem você deixaria para pessoas com deficiência que sonham em ingressar na universidade?
Luiz Humberto: Eu partiria de um pensamento muito simples, relacionado à diferença entre sonho e projeto.
Sonho é algo que você deseja. Por exemplo, tenho o sonho de conhecer o Alasca. Algum dia posso ir ao Alasca, mas não dedico nenhum segundo da minha vida, atualmente, para realizar esse sonho. Vejo as imagens da neve, penso naquele gelo azul-claro, acho lindo e maravilhoso, gosto de frio e penso: “Um dia vou ao Alasca”. Mas não estabeleço nenhuma ação concreta para isso.
Projeto é diferente.
Tenho o projeto de ser um grande arquiteto em Goiás e dedico meu tempo a isso.
Estou fazendo meu TCC em uma área de que não gostava, que é Urbanismo, porque tive uma dificuldade nessa área durante o curso. Então, agora, no TCC, decidi justamente enfrentar essa dificuldade.
Também estou pensando em fazer uma pós-graduação na área de Design de Interiores, que é outra área de que, particularmente, não gosto.
Quero ser um grande arquiteto. Para isso, preciso encarar minhas deficiências curriculares. Não estou falando da deficiência visual, mas das dificuldades que encontrei ao longo do curso. Estou enfrentando cada uma delas porque, mais à frente, elas serão ferramentas que me permitirão alcançar aonde quero chegar.
Para as pessoas que têm vontade de estudar, passar em um concurso público ou entrar em uma faculdade, as portas estão abertas. A legislação existe!
Hoje, a pessoa com necessidades específicas tem condições de buscar seus objetivos.
Quer estudar e passar em um concurso público para ser policial? Seria maravilhoso. Evidentemente, no meu caso, não poderia ser atirador de elite. Mas o que eu posso fazer? Posso ser fiscal, posso trabalhar na área administrativa, posso ser professor. Posso fazer muitas coisas.
A única coisa que realmente me limita é o quanto estou disposto a me esforçar para conseguir alguma coisa.
Então, para quem ouvir essa entrevista e pensar “eu quero”, eu digo: você pode ser o que quiser.
Vai ser mais difícil? Não vou dizer que será fácil. Não será.
Mas vou contar um segredo: é difícil.
Mas a partir do momento em que você estabelece uma meta clara, qualquer lugar em que esteja antes de atingir seu objetivo é apenas caminho.
Se você quer ser funcionário público, estude e busque o emprego. Mas precisa ter uma meta clara.
Quando você tem uma meta clara, nada pode ser considerado uma barreira definitiva. Se existe uma muralha intransponível, você passa ao redor. Se não consegue passar por cima, passa por baixo. Você procura outro caminho porque tem um objetivo definido.
É isso.
Você pode escolher se vitimizar e pensar: “Que azar. Minha vida é difícil.”
Isso é um direito seu.
TEMA 8: PROJETOS PARA O FUTURO
Entrevistadora Jordhana: quais são seus projetos e sonhos para o futuro?
Luiz Humberto: Quero terminar meu TCC e fazer um mestrado. Inicialmente, penso na área de Design de Interiores, porque, para mim, no curso de Arquitetura, temos apenas um contato superficial com essa área.
Também tenho o desejo de fazer um mestrado na área de acessibilidade. Ainda não sei exatamente qual será a área, mas acredito que faltam arquitetos trabalhando com essa questão.
Tenho vontade de voltar à UFG como professor. Isso é um sonho, mas também é um projeto. Já estou dedicando algum tempo da minha vida a isso, embora atualmente de maneira superficial. Já tenho discussões e conversas relacionadas a esse objetivo.
Sinto a responsabilidade de devolver à sociedade um pouco do que ela me deu. Estudo em uma faculdade pública, e meu estudo é subsidiado pelos impostos que as pessoas pagam. Então, uma maneira de devolver isso é continuar contribuindo.
AGRADECIMENTOS
"Agradeço à minha família.
À minha mãe que sempre dizia que eu era muito inteligente e que precisava fazer uma faculdade. Só fui dar ouvidos a isso depois que ela faleceu. Agradeço a ela por sempre enxergar em mim uma capacidade maior do que eu mesmo percebia.
Também quero mencionar alguns colegas que são muito importantes para mim: Thailiny Oliveira, que hoje é arquiteta; Natália Rocha, que trabalha na Prefeitura como arquiteta; e Oswaldo Neto. Foram três colegas que, durante a faculdade, estiveram ao meu lado em todas as batalhas.
Minha trajetória não foi fácil. Não cheguei aqui passando por um mar de rosas. Foram poucas pétalas e muitos espinhos.
Tive problemas com professores da UFG. Ao mesmo tempo, tive excelentes professores que me desafiaram a enxergar minha deficiência de outra maneira, e que me marcaram profundamente.
Agradeço:
A professora Karina, ao professor Tiago e ao professor Leilor.
Em especial, ao professor Flávio Higuchi, que me desafiou a voltar a desenhar à mão, mesmo com as dificuldades e com a questão da perspectiva, que é um pouco prejudicada por causa da deficiência.
Isso não significa desmerecer os demais. Todos os professores que passaram pela minha formação deixaram marcas. Algumas não foram boas, mas também serviram para que eu valorizasse ainda mais os bons professores que tive.
Por isso, considero que o corpo docente da faculdade foi excelente.
Também quero fazer um agradecimento especial ao Núcleo de Acessibilidade.
Muitas vezes precisei deles. Precisei dos meus monitores, embora eu seja uma pessoa bastante independente.
É difícil ser uma pessoa independente e fazer com que os outros entendam que, quando você precisa de ajuda, é porque realmente chegou ao limite.
E o núcleo conseguiu compreender essa minha especificidade.
O meu muito obrigado!"
- LUIZ HUMBERTO.
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| Audiodescrição entrevista Luiz Humberto | 20588 Kb | a5a7bc81a22c6e88540518a6e4f904a5 |
